quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Urbanização e agricultura são os usos do solo que mais afetam os rios no Brasil

 O Brasil abriga o maior volume de água doce do mundo, mas essa reserva está se tornando mais escassa devido a fatores como mudanças climáticas, aumento do consumo e tratamento inadequado. Mais do que isso: as águas dos rios brasileiros estão perdendo qualidade por conta da falta de planejamento no uso do solo.

Mapa elaborado pela equipe de pesquisadores revela que apenas 26% de mata nativa está preservada na Floresta Atlântica (imagem: Journal of Environmental Management)


Agricultura e urbanização são os tipos de atividade que mais preocupam, mas não só. A mineração, apesar de ocupar pouco território, apresenta um alto potencial de dano à qualidade dos mananciais, apontam os autores de uma pesquisa brasileira publicada no Journal of Environmental Management.

A revisão foi liderada por Kaline de Mello, bióloga do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP) apoiada pela FAPESP, e contou com a participação de pesquisadores da Universidade Federal do ABC (UFABC), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Universidade de Massachusetts e Universidade Estadual do Oregon, ambas nos Estados Unidos.

O trabalho é o primeiro a criar um panorama nacional sobre como cada tipo de uso do solo afeta os recursos hídricos nacionais. “A maioria dos estudos faz projeções sobre os impactos da mudança do uso do solo na quantidade de água disponível, não na sua qualidade, então não sabemos como estará a qualidade da água no país daqui a 30 anos”, comenta Ricardo Hideo Taniwaki, da UFABC, um dos autores.

A investigação, portanto, é um ponto de partida para vislumbrar o futuro da água no país em diversos cenários, otimistas e pessimistas.

Levantamento extenso

A análise foi dividida em etapas. Na primeira, os autores obtiveram informações sobre cobertura e uso da terra a partir da plataforma Mapbiomas. Nesse momento, foi possível observar a preservação da vegetação nativa e a extensão de atividades com possível impacto na qualidade da água: agricultura, pasto, silvicultura, mineração e urbanização.

“Depois, separamos os estudos que avaliaram em campo o efeito da atividade em questão nos rios próximos a ela, nos diferentes biomas brasileiros”, conta Mello. Entre os parâmetros usados para medir a qualidade da água estão a presença de coliformes fecais, sedimento, nitrogênio, fósforo, metais pesados e outros poluentes.

Em uma segunda fase, além da atividade em si, o grupo mostrou que a degradação varia conforme a escala usada para avaliá-la, e que isso deve ser levado em conta no planejamento de ações de preservação.

Na escala espacial, pode-se medir o efeito daquele tipo de atividade na margem do rio, exatamente no ponto de coleta da água, na faixa de vegetação ripária (também conhecida como mata ciliar) ou em toda a bacia hidrográfica. “Deste grupo, a análise da bacia hidrográfica parece refletir melhor a qualidade da água como um todo”, pontua Taniwaki.

Já a escala temporal mostra a variação de acordo com dados de temperatura, estações do ano e períodos de chuva. “Isso é bem importante no cenário de mudanças climáticas que vivemos, onde a previsão é de chuvas mais intensas e secas mais prolongadas e, se a atividade agrícola não tiver boas práticas, o potencial de poluição dos rios e riachos é maior”, continua Taniwaki.

Por fim, o grupo discute cenários possíveis projetados com modelos matemáticos capazes de prever a qualidade futura da água. “Destacamos modelos já disponíveis no Brasil que podem ser utilizados para simular o impacto de medidas positivas e negativas, bem como os dados que seriam necessários para isso”, comenta Mello.

Impacto por tipo de solo

Atualmente, 28,8% do território brasileiro é ocupado por pasto e agricultura, concentrados principalmente no Cerrado (42% do total) e na Floresta Atlântica (62%). “Nas áreas de pastagem, o solo é compactado pelos animais, o que afeta a absorção de água pelo solo, aumentando o escoamento superficial e faz com que uma maior quantidade de água e poluentes chegue ao corpo d’água quando chove”, destaca Mello.

A agricultura também afeta a dinâmica de escoamento, além de ser responsável por um grande aporte de poluentes como nitrogênio, fósforo e outras substâncias químicas nos rios e riachos. “Vale lembrar que o Brasil é um dos maiores consumidores de fertilizantes e agrotóxicos do mundo, o que gera um grande impacto nas águas superficiais e subterrâneas”, continua a pesquisadora.

Nas áreas urbanas há dois problemas principais. “Primeiro, a impermeabilização quase que total do solo, graças ao asfalto, então tudo que fica ali, inclusive metais pesados, é escoado para o rio quando chove, e não temos muitos programas de tratamento de água pluvial”, aponta Taniwaki.

Depois, apesar de ocuparem apenas 0,6% do solo do país, as cidades são grandes responsáveis pela degradação das águas por conta do esgoto não tratado, que despeja nos rios coliformes fecais, matéria orgânica e outros poluentes. Para se ter ideia, cerca de 48% da população não conta com coleta de esgoto em casa. E apenas 10% das 100 maiores cidades brasileiras tratam mais do que 80% do esgoto coletado.

O padrão “pouco espaço, muito estrago” se repete no caso da mineração, atividade que sabidamente libera nos cursos de água metais pesados tóxicos aos humanos e à fauna e flora locais. As recentes tragédias nas barragens de Brumadinho (MG) e Mariana (MG) evidenciaram esses impactos.

Depois do rompimento em Mariana, mais de 650 quilômetros do rio Doce, um dos mais importantes do país, foram poluídos, afetando mais de 1 milhão de pessoas. Já as análises de água do rio Paraopeba, um dos afetados pelo colapso em Brumadinho, mostram valores de chumbo e mercúrio 21 vezes acima do aceitável depois do acidente.

“E ainda temos mais de 40 barragens que estão em risco de acidentes do tipo”, alerta Taniwaki.

Biomas mais ameaçados

Mello destaca que, no geral, a perda da mata nativa é o que mais ameaça os recursos hídricos nos biomas brasileiros e menciona a situação dos rios e outros cursos d’água na região da Mata Atlântica, que concentra 65% da população brasileira.

Um mapa elaborado pela equipe de pesquisadores revela que apenas 26% de mata nativa está preservada na Floresta Atlântica. Não à toa, apenas 6,5% dos principais rios da região têm água avaliada como de boa qualidade.

Outros dois biomas que preocupam são a Amazônia e o Cerrado. A Amazônia, apesar de ainda conservar boa parte de sua vegetação nativa, vive um momento delicado. “Em 2019, enfrentou sua maior perda florestal em dez anos, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais”, destaca Mello.

O desmatamento na região cresceu 108% em janeiro de 2020, em comparação com o mesmo mês de 2019. No Cerrado, só restam 19% da vegetação original. “Faltam estudos sobre a qualidade da água nessas duas regiões, que são justamente as que mais estão sofrendo com a expansão das fronteiras agrícolas”, afirma Mello.

O futuro da água no Brasil

Com modelos matemáticos já disponíveis na literatura, gestores e pesquisadores podem projetar o futuro da qualidade de água em suas regiões e detectar que tipo de intervenção é mais eficaz naquela situação específica. Uma das ferramentas destacadas pelos autores, a avaliação multicriterial, utiliza a participação social, estatal e privada para priorizar áreas a serem restauradas em um cenário de escassez de recursos financeiros.

Para que essa análise seja feita de maneira mais assertiva, contudo, é preciso melhorar a qualidade dos dados disponíveis, que, para os pesquisadores, é escassa. “É difícil fazer projeções com as informações sobre qualidade da água e uso do solo que temos agora, e elas são fundamentais para criar políticas públicas”, comenta Taniwaki.

“Até agora, as estimativas que temos indicam uma severa degradação da qualidade da água caso o desmatamento e o saneamento básico não melhorem nos próximos anos”, prevê Mello. As consequências negativas no longo prazo incluem mais gastos para tratar a água poluída antes que ela seja utilizada ou para trazê-la de regiões mais distantes, um custo transmitido à população via conta de água, e mudanças drásticas nos outros serviços ambientais oferecidos por rios e riachos.

“Por outro lado, simulações feitas da restauração das Áreas de Preservação Permanente [florestas ripárias] com o cumprimento do Código Florestal evidenciam uma melhora da qualidade da água com a redução de sedimentos, nitrogênio e fósforo”, diz Mello.

Daí a necessidade de atuar em prol do cumprimento das legislações ambientais e de uma expansão agrícola e urbana planejada. “Os estudos que avaliamos mostram ainda os efeitos negativos do afrouxamento das leis e a diminuição do investimento em pesquisas”, encerra Taniwaki.

Fonte: Agência FAPESP

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Atafona: a cidade que o Brasil vem perdendo para o mar

Distrito de Atafona, antigo balneário no RJ, vem sendo engolido pelo mar há 50 anos - Rafael Duarte
Distrito de Atafona, antigo balneário no RJ, vem sendo engolido pelo mar há 50 anos
Imagem: Rafael Duarte

Neste antigo balneário do litoral do Rio de Janeiro, o Atlântico vem destruindo ruas, casas e comércios há mais de 50 anos. Estima-se que as águas já tenham derrubado pelo menos 500 construções. + Barragens no Rio Paraíba do Sul, bem como a devastação das matas ciliares ao longo do seu curso, estão entre as causas do fenômeno. Com o fluxo diminuído e o leito assoreado, o rio não consegue vencer o mar, que avança com cada vez mais força sobre a foz, onde fica Atafona. 

Segundo pesquisadores, as mudanças climáticas aceleram o processo de erosão, uma vez que influenciam a frequência e intensidade de ressacas e tempestades mais extremas. Em Atafona, o mar avança 3 metros por ano.

De acordo com a Organização Internacional para as Migrações, 295 mil novos deslocamentos provocados por causas ambientais foram registrados no Brasil em 2019. No mundo, o número supera o de deslocamentos por conflitos internos. Vítimas de um impacto ambiental lento e contínuo que vem destruindo a costa, os moradores do distrito de Atafona, em São João da Barra (RJ), buscam ressignificar suas relações com a cidade enquanto vivem a expectativa de um futuro incerto. Com o mar engolindo suas casas há mais de 50 anos, eles aguardam soluções para os impactos gerados na comunidade onde acontece um dos desastres ambientais de erosão costeira mais severos do Brasil.

Balneário de Atafona, na costa norte fluminense - Mongabay - Mongabay
O distrito de Atafona fica na costa norte fluminense - Imagem: Mongabay

Especialistas apontam como causas deste fenômeno uma soma de fatores, que incluem ações humanas e efeitos das mudanças climáticas numa região que, desde o início, teve uma ocupação habitacional desordenada em seu litoral. Os primeiros registros que se têm notícia da erosão costeira em Atafona datam de 1954, na Ilha da Convivência, que hoje já foi praticamente toda engolida e seus habitantes forçados a deixar suas casas e buscar moradia em outros lugares. Na praia de Atafona, o evento veio a ocorrer cerca de cinco anos depois, mas a destruição se intensificou na década de 1970 e não parou até os dias de hoje. A Prefeitura de São João da Barra calcula que o avanço do mar já destruiu 500 residências e comércios. Moradores locais e pesquisadores estimam que este número pode ser ainda maior e que o número de pessoas forçadas a se deslocar, inclusive migrando para outras cidades ou estados, tenha passado das 2 mil.

No mundo, o número de deslocados por causas ambientais — tais como erosão costeira, incêndios florestais, inundações e deslizamentos — supera o número de deslocamentos por conflitos internos. Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), um total de 295 mil novos deslocamentos por desastres ambientais foram registrados em 2019 no Brasil. Os dados, porém, contabilizam apenas desastres ocorridos em eventos pontuais, como inundações, deslizamentos de terra e tempestades. Mas não em processos mais graduais como o de Atafona. No ano passado, de acordo com dados do relatório do IDMC (Internal Displacement Monitoring Center), o país computou 240 pessoas forçadas a se deslocar no Brasil por erosão costeira, mas a OIM acredita que haja subnotificação.

Distrito de Atafona (RJ) em dois momentos - Rafael Duarte - Rafael Duarte
Atafona (RJ) em dois momentos, no intervalo de apenas 16 anos Imagem: Rafael Duarte

Por que o mar avança

Uma das principais causas apontadas pelo impacto em Atafona é a diminuição do fluxo de água do Rio Paraíba do Sul e seu consequente assoreamento, causados pela construção de barragens a montante. Isto faz com que o Atlântico vença a queda de braço com o rio na foz, com efeitos no fluxo de correntes, no acúmulo de areia e lama no leito e no movimento das ondas na praia. 

O desmatamento das matas ciliares ao longo de todo o curso fluvial também teria contribuído para o assoreamento do Paraíba do Sul, assim como o aumento populacional das cidades do entorno, que se abastecem da mesma água — como Campos dos Goytacazes, com meio milhão de habitantes, situada a apenas 40 km de Atafona.
Processos geológicos naturais também são apontados como um dos fatores, em um ritmo muito lento, mas observa-se um consenso entre os pesquisadores e moradores de que a erosão costeira tem sido intensificada e acelerada em decorrência de um combinação de ações humanas e efeitos das mudanças climáticas, como a elevação do nível do mar.

De acordo com Gilberto Pessanha Ribeiro, engenheiro cartógrafo, professor do Instituto do Mar e coordenador do Observatório da Dinâmica Costeira da Unifesp, que pesquisa o caso de Atafona há 17 anos, é preciso que existam mais pessoas estudando o assunto. "Fizemos descobertas fantásticas sobre a diversidade da compreensão do fenômeno na comunidade. Surgiram inclusive questões antropológicas. É uma área do litoral que mistura ciência, afeto, misticismo e religião. As pessoas adoram aquele lugar. Existe muito afeto envolvido. Atafona se tornou um personagem", destaca o pesquisador.

Recentemente, o canal da parte sul da foz se fechou pelo assoreamento do rio, agravando ainda mais a crise da pesca artesanal local e colocando em risco a sobrevivência da comunidade tradicional da região. 

Por mais que o fenômeno já aconteça há mais de meio século, ainda se trata de um caso relativamente pouco conhecido pela opinião pública em geral, dada a sua relevância. A população local analisa que foram tímidas as ações de todas as esferas de governo ao longo da história. Atualmente, os moradores pressionam governos e instituições envolvidas na esperança de que sejam tomadas providências, ainda que não haja nenhuma solução óbvia ou rápida para solucionar o problema em curto ou médio prazos.

Balneário de Atafona, na costa norte fluminense - Rafael Duarte - Rafael Duarte
Combinação de ações humanas e mudanças climáticas ajudam a explicar caso de Atafona - Imagem: Rafael Duarte.

Para o geógrafo Dieter Muehe, um dos principais especialistas do país em erosões costeiras, o avanço do mar no Brasil não é apenas uma realidade, mas sim uma tendência. "Atafona é um hotspot de tendência continuada. A praia ganha e perde sedimentos, mas o balanço em Atafona não é equilibrado. A praia perto da foz perde mais do que ganha, o que causa a erosão", explica. "E a lama também impede a mobilização do fundo marinho. O rio não joga no mar a quantidade de areias que deveria. Com as barragens, não há mais cheias excepcionais que expulsam grandes quantidades de areias para a plataforma. As mudanças climáticas aceleram o processo erosivo, uma vez que influenciam a frequência e intensidade de ressacas e tempestades mais extremas." 
Os efeitos mais perceptíveis da erosão costeira para a população brasileira, segundo ele, são aqueles que ocorrem em áreas urbanas, devido aos prejuízos materiais que ela causa. "

O avanço do mar é, sim, uma tendência. A barreira arenosa já vinha se aproximando lentamente do continente ao longo de séculos de forma imperceptível. Observamos que hoje os efeitos de ações humanas no meio ambiente estão acelerando este processo. O que se constata é que o processo está tão veloz que um ser humano consegue perceber ao longo de uma vida. Uma pessoa que vive em uma área mais vulnerável no litoral pode até conseguir passar uma vida naquela moradia, mas talvez não dure para as gerações seguintes", afirma o geógrafo. 

Este foi o caso do jornalista local João Noronha, que perdeu em 2006 para o mar a casa que herdou de sua família. Autor de dois livros sobre Atafona, ele está com o terceiro pronto para ser impresso. "Nos anos 1940, Atafona se tornou conhecida por ser uma praia medicinal. Nos anos 1970, virou moda e foi palco de bailes da aristocracia fluminense em grandes clubes", conta ele. "Inicialmente, eu relutava em tocar no assunto da erosão nos jornais para os quais escrevia. Tinha um certo bloqueio devido a um valor sentimental de quem passou pelo trauma de perder a casa da sua família. Semanas antes de minha casa cair, doei todos os materiais que estavam nela e me mudei para uma outra, bem menor, num outro bairro a 6 km de lá. O município não deveria ter permitido as construções na área costeira."

Balneário de Atafona, na costa norte fluminense - Rafael Duarte - Rafael Duarte
Construção de barragens e retirada da mata são alguns dos motivos para avanço do mar - Imagem: Rafael Duarte.


Fonte: https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/noticias-da-floresta/2020/08/06/atafona-a-cidade-que-o-brasil-vem-perdendo-para-o-mar.htm



quinta-feira, 30 de julho de 2020

Cientistas revivem micróbios de 100 milhões de anos

Seres estavam presos no fundo do mar e voltaram à vida após serem alimentados e receberem oxigênio


Uma equipe de pesquisadores do Japão e dos Estados Unidos conseguiu reviver micróbios que estavam presos no fundo do mar há mais de 100 milhões de anos. "Queríamos saber quanto tempo os micróbios poderiam sustentar sua vida em uma quase ausência de alimentos", destacou Uiki Morono, microbiologista da Agência Japonesa de Ciência e Tecnologia Marinha e da Terra.

Após dar o alimento correto e um pouco de oxigênio para os seres, eles voltaram à vida. Apesar de saber que há vida em sedimentos profundos nos continentes, onde tem muita matéria orgânica enterrada, o geomicrobiologista Steven D’Hondt, da Universidade de Rhode Islande, afirma que o que foi descoberto é que "a vida se estende no fundo do oceano, do fundo do mar até o porão rochoso subjacente".

Os micróbios foram retirados do solo do Giro do Pacífico Sul, região próxima ao leste da Austrália que é conhecida como uma das partes oceânicas com maior limitação de comida e vida devido ao acúmulo de poluição plástica. Em 2010, uma expedição coletou sedimentos a uma distância de 75 metros baixo do fundo do oceano que, na região, possui quase seis quilômetros de profundidade.

Os micróbios encontrados receberam um impulso de oxigênio e foram alimentados com substratos contendo carbono e nitrogênio. Depois, foram selados e incubados em frascos que só foram abertos em três oportunidades: após 21 dias, seis semanas e 18 meses. "Descobrimos que até 99,1% dos micróbios depositados em sedimentos 101,5 milhões de anos atrás ainda estavam vivos e prontos para comer", destacou Morono.

Após a incubação, os pesquisadores determinaram que os micróbios eram bactérias. Alguns dos seres quadruplicaram em número depois de 68 dias. "Isso mostra que não há limites para a vida nos antigos sedimentos dos oceanos", destacou D’Jondt. "Eles podem acordar, crescer e se multiplicar", finalizou.

Micróbios no fundo do mar
Em 2013, cientistas se surpreenderam ao descobrir micróbios crescendo em rochas vulcânicas localizadas no fundo do mar, no noroeste do Pacifico. Os sedimentos eram considerados jovens, já que ainda estavam quentes o suficiente para provocar reações químicas com a água do mar. A partir desses fenômenos, os pequenos organismos encontrados extraíam sua energia.

Agora, em descoberta semelhante, um grupo de cientistas da Universidade de Tóquio encontrou células vivas dentro de uma crosta oceânica extremamente velha e fria no meio do Pacífico Sul. Ainda não foi determinado como esses micróbios conseguiram sobreviver, já que as reações químicas envolvendo o calor da rocha e a água do mar não aconteciam.

Fonte: Olhar Digital