sexta-feira, 25 de maio de 2018

A plastificação do mundo, por dentro e por fora de nós

Parecia mágica. O que não ocorreu a ninguém é que indestrutibilidade não é um atributo assim tão desejável, se você for pensar bem nas consequências. 
Por Denis R. Burgierman

A notícia, dada um século e meio atrás, era tão boa que parecia um sonho realizado: a descoberta de um material quase mágico, infinitamente moldável, indestrutível. Ele foi apresentado ao mundo em 1862, na Grande Exibição Internacional de Londres, com o nome de Parkesine, e faturou uma medalha de bronze no evento. Era celebrado inclusive por amantes da natureza, até porque podia ser misturado a pigmento e usado na fabricação das teclas brancas dos pianos, em substituição a dentes arrancados de elefantes abatidos. O Parkesine foi o primeiro plástico feito pelo homem, a partir da queima da celulose das plantas. 

Mas a mágica mesmo aconteceu às margens do século 20, quando se inventou um plástico que não era feito de plantas: era produzido a partir do nada. Quer dizer, não exatamente do nada, mas quase: era feito da queima de gases que evaporavam do petróleo no processo de produzir combustível e que, não fossem recolhidos, escapariam pela chaminé. Com reações químicas, esses gases são liquefeitos numa pasta quente que, quando esfria, endurece, e pode ter a cor e a forma que se desejar. Um material prático e resistente a um custo ínfimo, para uma humanidade que por milênios suou a camisa para obter da natureza algo para construir suas coisas. Quer melhor notícia que essa? 

O que não ocorreu a ninguém naquela época é que indestrutibilidade não é um atributo assim tão desejável, se você for pensar bem nas consequências. Será que o sachê de ketchup devia mesmo durar para sempre? A embalagem da bala do Uber, o filtro dentro da bituca do cigarro, até mesmo a purpurina da fantasia, ou as bolinhas esfoliantes misturadas à pasta de dente? Essas coisas todas, que tanta gente descarta sem pensar, vão existir na Terra por milênios. 

Eu, você e os outros 7 bilhões de nós cobrimos a Terra de pedacinhos de plástico todos os dias. E aí o planeta coloca para funcionar seu fantástico sistema autolimpante: ele é enxaguado pelas chuvas, que escorrem em rios terra abaixo até chegar aos oceanos, carregando consigo toneladas de eterno plástico.

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Outro dia assisti ao recente documentário Blue, por aqui traduzido como “Triste Oceano”, um relato devastador da situação atual da parte azul da Terra. O filme acompanha, entre outros personagens, a rotina da bióloga Jennifer Lavers, que viaja de uma ilha a outra no Pacífico capturando aves marinhas em seus ninhos, enfiando um canudo em suas goelas, e bombeando água até o bichinho vomitar. No líquido regurgitado invariavelmente há dezenas, às vezes centenas de pedacinhos de tampa de caneta bic, buchas de segurar parafuso, tampinhas de garrafa de água e outras indícios da presença humana na Terra. 

Trata-se de uma tentativa desesperada de Lavers de salvar a vida de aves que, de outra maneira, morreriam de hemorragia interna e falta de nutrientes. É tudo plástico varrido dos continentes pelos grandes rios que correm nas redondezas das cidades, principalmente as do mundo subdesenvolvido (o rio Amazonas é o sétimo que mais carrega plástico do mundo, numa lista dominada pela China). 

Segundo a matéria de capa deste mês da National Geographic, 9 bilhões de toneladas de plástico são atiradas ao mar todos os anos, o equivalente a 15 sacos de supermercado cheinhos de lixo plástico para cada metro da linha costeira do planeta inteirinho. A revista descreve praias paradisíacas no Pacífico onde 15% da areia é feita de grãos de plástico. Encontrou-se um saco de supermercado até mesmo nas profundezas da Fossa das Marianas, no fundo do mundo, 10 quilômetros abaixo da superfície. 

Plástico dura eternamente, mas vai se quebrando em pedacinhos cada vez menores pelos ventos, pelas correntes e pelo sol. Esses micropedacinhos estão hoje do lado de dentro de praticamente todos os animais marinhos: até plâncton está comendo plástico. E, como a vida marinha está na base da cadeia alimentar global, estamos todos cada dia mais plastificados por dentro. Vai piorar: a produção mundial de plástico cresce sem parar. Era de 2,3 milhões de toneladas ao ano em 1950, passou a 162 milhões em 1993. Em 2015, produziu-se 448 milhões de toneladas do material mágico. 

Quando ouço essa história deparo com a constatação da incompetência do cérebro humano para enxergar o longo prazo e para basear suas decisões de hoje nas consequências futuras. Não é incrível que uma espécie orgulhosa a ponto de se autobatizar “sábia” seja incapaz de prever que, se produzir cada vez mais de algo que dura para sempre, uma hora acabaríamos soterrados nessa coisa? Tanto somos ruins nisso que parece que não aprendemos nunca a lição: está cheio de gente pelo mundo buscando a vida eterna, sem perceber que, se as pessoas durassem mesmo para sempre, tampouco seria uma notícia muito boa para quem tivesse que viver em meio aos dejetos de uma população infinita. 

Também acho graça na turma que se assusta com a possibilidade de que a automação de tudo vá acabar com os empregos, porque os robôs farão todas as tarefas e não deixarão trabalho para ninguém. Será que eles não percebem que, neste mundo cada dia mais carente de recursos naturais e entulhado de resíduos, o que não faltará é trabalho para os humanos do futuro, para quem sobrará a responsabilidade de arrumar a bagunça e converter os sistemas produtivos? Certamente precisaremos de muitos robôs para nos ajudar, mas a tarefa é tão imensa que vai exigir a colaboração da humanidade inteira.

Fonte: Nexo Jornal


quinta-feira, 24 de maio de 2018

4 alimentos que protegem a saúde — e ajudam a queimar gordura

Além de fortalecerem as defesas do seu corpo, estes grupos alimentares colaboram com a dieta

Pimenta, gengibre e canela (os Termogênicos)
São os nutrientes calientes, que despertam gritinhos no corpo: aumentam a temperatura corporal e aceleram o metabolismo basal, levando a um maior gasto de energia. Eles são a capsaicina, das pimentas, o gingerol, do gengibre, e o aldeído cinâmico, da canela. Além da nossa velha conhecida cafeína, do café, e da catequina, do chá verde.


Castanha-do-pará (o Selênio)
Quem acumula gordura costuma sofrer de inflamação nos tecidos. E o selênio, da castanha-do-pará, funciona praticamente como um enviado da ONU em missão de paz, porque ajuda a reverter esses processos inflamatórios. Ele também turbina o sistema imunológico e ajuda a tireoide, glândula que manda e desmanda no metabolismo, a funcionar bem.


Espinafre, brócolis e batata (o Ácido Alfalipoico)
O ácido dessas verduras ajuda a diminuir a concentração de açúcar no sangue. Também dá uma força na regeneração de tecidos danificados, porque aumenta o fluxo sanguíneo nessas regiões e melhora a condução dos impulsos nervosos. Por isso é usado até no tratamento de lesões neurológicas e para mitigar os sintomas do Alzheimer.


Soja, frango, gema de ovos (a Colina)
Ela é fundamental para a formação da membrana celular e do tecido cerebral. Ajuda a derreter a gordura do fígado e a lembrar onde você colocou as chaves, porque preserva a memória.


Fonte: Superinteressante.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Amazônia tem "oceano subterrâneo"

A Amazônia possui uma reserva de água subterrânea com volume estimado em mais de 160 trilhões de metros cúbicos, estimou Francisco de Assis Matos de Abreu, professor da Universidade Federal do Pará (UFPA), durante a 66ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Bacias sedimentares do Acre, Solimões, Amazonas e Marajó têm reserva de água estimada em mais de 160 trilhões de metros cúbicos. (foto: Wikimedia)


O volume é 3,5 vezes maior do que o do Aquífero Guarani – depósito de água doce subterrânea que abrange os territórios do Uruguai, da Argentina, do Paraguai e principalmente do Brasil, com 1,2 milhão de quilômetros quadrados (km2) de extensão.

“A reserva subterrânea representa mais de 80% do total da água da Amazônia. A água dos rios amazônicos, por exemplo, representa somente 8% do sistema hidrológico do bioma e as águas atmosféricas têm, mais ou menos, esse mesmo percentual de participação”, disse Abreu durante o evento.

O conhecimento sobre esse “oceano subterrâneo”, contudo, ainda é muito escasso e precisa ser aprimorado tanto para avaliar a possibilidade de uso para abastecimento humano como para preservá-lo em razão de sua importância para o equilíbrio do ciclo hidrográfico regional.

De acordo com Abreu, as pesquisas sobre o Aquífero Amazônia foram iniciadas há apenas 10 anos, quando ele e outros pesquisadores da UFPA e da Universidade Federal do Ceará (UFC) realizaram um estudo sobre o Aquífero Alter do Chão, no distrito de Santarém (PA).

O estudo indicou que o aquífero, situado em meio ao cenário de uma das mais belas praias fluviais do país, teria um depósito de água doce subterrânea com volume estimado em 86,4 trilhões de metros cúbicos.

“Ficamos muito assustados com os resultados do estudo e resolvemos aprofundá-lo. Para a nossa surpresa, descobrimos que o Aquífero Alter do Chão integra um sistema hidrogeológico que abrange as bacias sedimentares do Acre, Solimões, Amazonas e Marajó. De forma conjunta, essas quatro bacias possuem, aproximadamente, uma superfície de 1,3 milhão de quilômetros quadrados”, disse Abreu.

Denominado pelo pesquisador e colaboradores Sistema Aquífero Grande Amazônia (Saga), o sistema hidrogeológico começou a ser formado a partir do período Cretáceo, há cerca de 135 milhões de anos.

Em razão de processos geológicos ocorridos nesse período foi depositada, nas quatro bacias sedimentares, uma extensa cobertura sedimentar, com espessuras da ordem de milhares de metros, explicou Abreu.

“O Saga é um sistema hidrogeológico transfronteiriço, uma vez que abrange outros países da América do Sul. Mas o Brasil detém 67% do sistema”, disse.

Uma das limitações à utilização da água disponível no reservatório, contudo, é a precariedade do conhecimento sobre a sua qualidade, apontou o pesquisador. “Queremos obter informações sobre a qualidade da água encontrada no reservatório para identificar se é apropriada para o consumo.”

“Estimamos que o volume de água do Saga a ser usado em médio prazo para abastecimento humano, industrial ou para irrigação agrícola será muito pequeno em razão do tamanho da reserva e da profundidade dos poços construídos hoje na região, que não passam de 500 metros e têm vazão elevada, de 100 a 500 metros cúbicos por hora”, disse.

Como esse reservatório subterrâneo representa 80% da água do ciclo hidrológico da Amazônia, é preciso olhá-lo como uma reserva estratégica para o país, segundo Abreu.

“A Amazônia transfere, na interação entre a floresta e os recursos hídricos, associada ao movimento de rotação da Terra, cerca de 8 trilhões de metros cúbicos de água anualmente para outras regiões do Brasil. Essa água, que não é utilizada pela população que vive aqui na região, representa um serviço ambiental colossal prestado pelo bioma ao país, uma vez que sustenta o agronegócio brasileiro e o regime de chuvas responsável pelo enchimento dos reservatórios produtores de hidreletricidade nas regiões Sul e Sudeste do país”, avaliou.

Vulnerabilidades

De acordo com Ingo Daniel Wahnfried, professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), um dos principais obstáculos para estudar o Aquífero Amazônia é a complexidade do sistema.

Como o reservatório é composto por grandes rios, com camadas sedimentares de diferentes profundidades, é difícil definir, por exemplo, dados de fluxo da água subterrânea para todo sistema hidrogeológico amazônico.


“Há alguns estudos em andamento, mas é preciso muito mais. É necessário avaliarmos, por exemplo, qual a vulnerabilidade do Aquífero Amazônia à contaminação”, disse Wahnfried.

Diferentemente do Aquífero Guarani, acessível apenas por suas bordas – uma vez que há uma camada de basalto com dois quilômetros de extensão sobre o reservatório de água –, as áreas do Aquífero Amazônia são permanentemente livres.

Em áreas de floresta, essa exposição do aquífero não representa um risco. Já em áreas urbanas, como nas capitais dos estados amazônicos, isso pode representar um problema sério. “Ainda não sabemos o nível de vulnerabilidade do sistema aquífero da Amazônia em cidades como Manaus”, disse Wahnfried.

Segundo o pesquisador, tal como a água superficial (dos rios), a água subterrânea é amplamente distribuída e disponível na Amazônia. No Amazonas, 71% dos 62 municípios utilizam água subterrânea (mas não do aquífero) como a principal fonte de abastecimento público, apesar de o estado ser banhado pelos rios Negro, Solimões e Amazonas.

Já dos 22 municípios do Estado do Acre, quatro são totalmente abastecidos com água subterrânea. “Apesar de esses municípios estarem no meio da Amazônia, eles não usam as águas dos rios da região em seus sistemas públicos de abastecimento”, avaliou Wahnfried.

Algumas das razões para o uso expressivo de água subterrânea na Amazônia são o acesso fácil e a boa qualidade desse tipo de água, que apresenta menor risco de contaminação do que a água superficial.

Além disso, o nível de água dos rios na Amazônia varia muito durante o ano. Há cidades na região que, em períodos de chuva, ficam a poucos metros de um rio. Já em períodos de estiagem, o nível do rio baixa 15 metros e a distância dele para a cidade passa a ser de 200 metros, exemplificou. 

Fonte: Agência FAPESP

quinta-feira, 17 de maio de 2018

OMS confirma novo surto de ebola na República Democrática do Congo e amplia resposta

Dois novos casos de ebola foram confirmados na República Democrática do Congo por cientistas do governo, levando a Organização Mundial da Saúde a ampliar imediatamente a sua resposta.

Os novos casos de ebola foram identificados nesta terça-feira (8) em uma área remota do noroeste do país, perto da cidade de Bikoro, perto do rio Congo.

A OMS designou funcionários dedicados e recursos em toda a agência para combater o surto, e liberou cerca de 1 milhão de dólares de seu fundo de emergência para apoiar os esforços nos próximos três meses e impedir a disseminação da doença.

Durante um surto anterior de ebola na República Democrática do Congo, em 2014, a ONU e funcionários do governo avaliaram a resposta à doença. Foto: MONUSCO/Jesus Nzambi (foto de arquivo)
Durante um surto anterior de ebola na República Democrática do Congo, em 2014, a ONU e funcionários do governo avaliaram a resposta à doença. Foto: MONUSCO/Jesus Nzambi (foto de arquivo)

Dois novos casos de ebola foram confirmados na República Democrática do Congo (RDC) por cientistas do governo, levando a agência sanitária da ONU a ampliar imediatamente a sua resposta.

Os novos casos de ebola foram identificados nesta terça-feira (8) em uma área remota do noroeste do país, perto da cidade de Bikoro, perto do rio Congo.

Em um comunicado, a Organização Mundial de Saúde (OMS) disse que as duas amostras positivas, das cinco testadas, vieram da unidade de saúde de Iponge, localizada perto de Bikoro, e amostras adicionais foram coletadas para novos testes.

“Nossa maior prioridade é chegar a Bikoro para trabalhar junto ao governo e parceiros para reduzir a perda de vidas e sofrimentos relacionados a este novo surto da doença pelo vírus ebola”, disse Peter Salama, diretor-geral adjunto da OMS para Preparação e Resposta a Emergências.

“Trabalhar com parceiros e responder cedo e de forma coordenada será vital para conter esta doença mortal”, acrescentou.

A OMS adotará a estratégia implantada com sucesso após um surto similar de ebola no ano passado, que incluiu um alerta rápido das autoridades locais quando novos casos surgirem; bem como testes imediatos, notificação imediata dos resultados e uma resposta global rápida por parte das autoridades locais e nacionais, junto a parceiros internacionais.

Resposta até agora
Uma equipe multidisciplinar de especialistas da OMS, ‘Médicos Sem Fronteiras’ e do governo já foi destacada para Bikoro para coordenar e fortalecer a resposta.

Matshidiso Moeti, diretor regional da OMS para a África, sublinhou a importância de uma forte coordenação desde o início.

“Vamos trabalhar em estreita colaboração com autoridades de saúde e parceiros para apoiar a resposta nacional”, disse ele.

A OMS também designou funcionários dedicados e recursos em toda a agência para combater o surto, e liberou cerca de 1 milhão de dólares de seu fundo de emergência para apoiar os esforços nos próximos três meses e impedir a disseminação da doença.

A situação no terreno em Bikoro, situada ao longo do lago Tumba, na província de Equateur, é particularmente difícil, dada a sua distância da capital e a disponibilidade limitada de serviços de saúde.

As instalações da cidade tiveram que depender de organizações internacionais para suprimentos médicos.

Nono surto na RDC desde 1976
Este é o nono surto registrado no país, desde a descoberta do vírus ebola na RDC, em 1976.

O vírus é endêmico na nação africana e causa uma doença grave e aguda, que muitas vezes é fatal se não for tratada. O vírus é transmitido ao ser humano através do contato com animais selvagens e pode ser passado de pessoa para pessoa. O ebola é fatal em cerca de 50% dos casos.

Um surto na África Ocidental que começou em 2014 deixou mais de 11 mil mortos em seis países e não foi declarado oficialmente pela OMS até o início de 2016.

Os primeiros sintomas geralmente incluem o início súbito de febre, fadiga, dores musculares, dor de cabeça e dor de garganta. Esse quadro é seguido por vômitos, diarreia, erupção cutânea, sintomas de insuficiência renal e função hepática e, em alguns casos, hemorragias internas e externas.

Fonte: ONU BR

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Empresa lançará primeiro tênis feito com chiclete reciclado

Se você já pisou num chiclete na rua, você pode não saber, mas foi vítima de um problema global: só na Holanda, cerca de 1.500 toneladas de chiclete vão parar na rua a cada ano. O custo para limpar essa sujeira é de milhões de euros por ano, e o chiclete leva de 20 a 25 anos para começar a se decompor, o que o torna um problema ambienta. Por isso, três organizações se uniram para fazer um tênis com esse chiclete.

A organização de marketing municipal Iamsterdam, a empresa de sustentabilidade Gumdrop e a empresa de design Explicit Wear criaram o Gumshoe, um tênis cujas solas são feitas com chiclete retirado das ruas. Um quilo de chicletes são o suficiente para solar quatro pares do Gumshoe - o resto do calçado é feito de couro. 

(Foto: reprodução / The Verge)

Mascando borracha

Criar solas de sapato a partir de chiclete é possível porque, como os envolvidos descobriram, um dos principais ingredientes das gomas de mascar é borracha sintética. Essa borracha, de acordo com o vídeo acima, pode ser decomposta usando técnicas já conhecidas de reciclagem. As instituições fizeram esse processo e, na sequência, usaram os produtos para criar um novo material chamado "Gum-Tec". 

Em entrevista ao The Verge, um dos colaboradores do projeto, Jonathan Van Loon, disse que o material resultante tem até mesmo cheiro de chiclete - mas não é grudento. O Gumshoe, por sua vez, é o primeiro calçado do mundo a utilizar chiclete reciclado em seu processo de fabricação. A ideia da colaboração também é dar mais publicidade ao problema e, potencialmente, encontrar mais aplicações para o novo material. 

Expansão

Na sola do tênis há um mapa da cidade de Amsterdam, de onde foram retirados os chicletes que a compoem - a empresa também pretende criar produtos semelhantes em outras grandes cidades do mundo nas quais o chiclete seja um problema grave também. E a ideia é criar um plano de ressolamento - assim, quando o tênis estiver velho, os donos podem levá-lo para receber uma nova sola feita com chiclete reciclado. 

Mas ainda leva algum tempo para que o tênis chegue às ruas. A expectativa é que o Gumshoe de Amsterdam se torne disponível de junho, nas cores rosa, vermelho e preto. E o preço quando ele for lançado será de 190 euros (cerca de R$ 800 na conversão direta).

Fonte: Olhar Digital - 24/04/2018

quinta-feira, 10 de maio de 2018

O reator nuclear portátil da NASA

Reator nuclear portátil da NASA passa com sucesso em nova bateria de testes



Você talvez se lembre do KRUSTY, o reator nuclear portátil que a Nasa estava testando há alguns meses. Ontem, ele passou com sucesso por uma nova bateria de testes que durou mais de 28 horas e que tornou ainda mais provável que ele seja um dos principais companheiros dos humanos nas primeiras viagens tripuladas a Marte.

Segundo a Nasa, o reator foi testado em quatro fases. As duas primeiras foram feitas sem energia, apenas para garantir que todos os sistemas do KRUSTY estavam funcionando da maneira correta. Na terceira, a equipe foi gradualmente aumentando a temperatura do núcleo do reator para que ele começasse a gerar energia.

Como funciona?

O KRUSTY usa um bloco de urânio 235 mais ou menos do tamanho de um rolo de papel toalha como combustível. Os átomos de urânio são quebrados numa reação que libera energia. Essa energia é usada para aquecer tubos cheios de sódio sólido que transmitem o calor até um motor. O motor, finalmente, transforma o calor dos tubos em energia elétrica que pode ser usada em qualquer equipamento. 

Durante seu funcionamento, o motor acaba se aquecendo, o que coloca-o em risco. Por isso, é acoplado a ele um radiador dobrável de titânio, parecido com um guarda-chuva, que dissipa o calor produzido pelo motor para fora do reator. No total, ele é capaz de gerar dez kilowatts de potência (o suficiente para alimentar uma residência média) ao longo de mais de dez anos.

Para ligar e desligar o reator, usa-se uma haste de carbeto de boro (B4C). Esse material "absorve" nêutrons. Por isso, quando ele é inserido no reator, ele impede a reação de fissão nuclear de acontecer, o que desliga o reator. Quando a haste é removida, os nêutros voltam a circular livremente, a reação volta a acontecer e a energia volta a ser produzida. 

Segurança

A ideia da Nasa é usar o KRUSTY em missões tripuladas de longa duração para a Lua ou para Marte. Nesses locais, os astronautas precisarão de energia para ligar seus equipamentos de purificação de água e produção de oxigênio, por exemplo. E fontes de energia como luz solar ou ventos são demasiadamente voláteis para dedicar a tarefas tão críticas.

Fora isso, os astronautas que forem a Marte também precisarão dar um jeito de produzir o combustível para a viagem de volta - não é viável ir até lá levando o combustível do retorno. Por esses motivos, o reator pode acabar sendo uma peça essencial das futuras missões tripuladas da agência espacial estadunidense.

Quanto à segurança, Patrick McClure, um dos diretores do projeto disse ao Business Insider que é praticamente impossível que o reator sofra qualquer dano, mesmo no caso de um incêndio ou explosão do foguete. Isso porque ele usa sódio para transmitir calor, e o sódio, diferente da água, não se transforma em capor durante a operação, o que o torna mais seguro.

E a maneira como o reator é ativado (com a haste de carbeto de boro) também impede que ele seja acidentalmente ativado na hora errada. Segundo McClure, mesmo que uma explosão acontecesse durante o lançamento do foguete, a radiação a um quilômetro do local de lançamento não passaria de um millirem - o equivalente ao necessário para se realizar um raio X da arcada dentária. 

Fonte: Olhar Digital - 03/05/2018