sexta-feira, 13 de março de 2015

bichos se alimentam de sangue (inclusive humano)

Quando se pensa em animais hematófagos, ou seja, que vivem de sangue, a primeira imagem que vem à cabeça de muita gente é a de um morcego. Esse mamífero levou toda a fama, provavelmente por ter inspirado um dos personagens mais famosos das histórias de terror, o Conde Drácula.

"A verdade é que apenas três entre as mais de 1.100 espécies conhecidas de morcegos são hematófagos", afirma o virologista Paulo Eduardo Brandão, professor da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de São Paulo (USP). São elas a Desmodus rotundus, a Dhiphylla ecaudata e a Diaemus youngii, existentes somente na América Latina. Todas as espécies restantes se alimentam de frutos ou insetos.

Por estudar um vírus bastante perigoso transmitido por esses animais - o da raiva -, Brandão conhece bastante sobre a biologia dessas criaturas de hábitos noturnos. Eles até podem atacar humanos, mas suas presas favoritas são aves, suínos, bovinos ou animais domésticos. E qualquer mamífero pode se infectar com a raiva ao ser mordido por um morcego-vampiro.

O professor da USP conta que, ao criar o famoso Drácula, o escritor irlandês Bram Stoker se inspirou em histórias europeias e também latino-americanas, que provavelmente envolviam ataques de morcegos.

Mas, ao contrário do vampiro humano da ficção, esses animais não mordem com os caninos, nem chupam o sangue das vítimas. Eles usam os incisivos (dentes "da frente") e lambem o sangue que sai da ferida.

Os morcegos-vampiros, assim como outras espécies, são importantes para o ecossistema, mas sempre que sua presença é identificada numa cidade é preciso entrar em contato com o Centro de Controle de Zoonoses. "É essencial evitar contato com qualquer morcego, pois mesmo sem morder, eles podem transmitir raiva", avisa Paulo Eduardo Brandão. Se você tocar sem querer o animal, procure o posto de saúde imediatamente.

Conseguir sangue não é uma tarefa fácil para os vampiros humanos, como os filmes e séries sempre deixam claro. Também não deve ser simples para animais como o morcego, mas eles têm uma vantagem: o alimento vem prontinho; só precisa ser absorvido pelo estômago para que seu corpo se encha de nutrientes. Veja, a seguir, características de alguns animais que se alimentam de sangue.

Morcego (Desmodus rotundus), um dos que realmente suga o sangue de animais

Morcegos
Apenas três entre as mais de 1.100 espécies conhecidas de morcegos são hematófagos: a Desmodus rotundus, a Dhiphylla ecaudata e a Diaemus youngii, existentes somente na América Latina. Todas as espécies restantes se alimentam de frutos ou insetos. O maior risco desses animais é a transmissão do vírus da raiva, por isso deve-se evitar o contato com eles, e não apenas a mordida.

Mosquito Aedes aegypti, transmissor de doenças como a dengue e a febre chikungunya

Mosquitos
Há vários outros exemplos de hematófagos na natureza, todos eles tão ou mais horripilantes como os vampiros. A maioria deles é artrópode, o que inclui insetos como os odiados pernilongos, que não deixam muita gente dormir no calor.

Mas, pior que causar coceira e zumbido é provocar doenças - algo que os mosquitos que se alimentam de sangue sabem fazer muito bem. Eles, aliás, são os animais que mais matam gente no mundo, por transmitir males como dengue, malária, febre do Nilo Ocidental e tantas outras.

Piolhos e chatos: cerca de 5.000 espécies infestam o planeta

Percevejos
Outro inseto sem asas bastante desagradável por sua mania de beber sangue é o percevejo, sendo o percevejo-de-cama o mais conhecido entre seres humanos (e viajantes). O Cimex lectularius gosta de atacar as pessoas enquanto dormem, por isso são comuns em camas, colchões e estofados, como sugere o nome popular. Após a proibição do inseticida DDT, esse bicho voltou a ser uma praga comum em muitos países.

O percevejo não transmite doenças, mas sua picada, ou melhor, a perfuração da pele para sugar sangue, costuma provocar reações alérgicas na pele, que podem ser aliviadas com anti-inflamatórios ou anti-histamínicos.

Carrapato: mais de 840 espécies de artrópodes

Carrapatos
Também artrópodes, os carrapatos são um tipo de hematófago que transmite doenças, algumas bem graves. Segundo o Centro de Informação em Saúde para Viajantes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), eles podem permanecer fixos na pele dos hospedeiros durante semanas, secretando substâncias que impedem a coagulação sanguínea e diminuem a resposta do organismo no local da invasão.

Existem mais de 840 espécies diferentes em todo o mundo e as doenças transmitidas por eles afetam seres humanos apenas eventualmente. Nesse caso, podem provocar apenas reações alérgicas e inflamação até serem eliminados. Mas em outros, podem provocar até paralisia.

Os carrapatos também podem carregar a bactéria Rickettsia rickettsii, causadora da febre maculosa brasileira (FMB), ou a Borrelia burgdorferi, que provoca a doença de Lyme. Ambas as enfermidades podem levar à morte.

Candiru ou peixe-vampiro: ele vai direto para a uretra atrás de sangue

"Peixe vampiro"
Se você acha que insetos, piolhos e carrapatos são pequenos demais para apavorar alguém, que tal um peixe de 18 centímetros encontrado no Rio Amazonas que é atraído pelo odor da urina, entra na uretra de homens e mulheres para sugar seu sangue e só pode ser arrancado de lá com cirurgia? Trata-se do candiru, mais conhecido como peixe vampiro. A espécie Vandellia cirrhosa tem como vítimas mais frequentes os peixes, atacados pelas guelras.

Lampreia (Petromyzon marinus): parasita com dentinhos prontos para sugar seu sangue

Lampreia
Parasita se alimenta de sangue, a lampreia, que parece uma enguia com dentes internos, vive tanto no mar quanto em rios, dependendo de sua fase reprodutiva. Algumas espécies são usadas na gastronomia, o que, junto com a poluição e a construção de barragens, têm levado esses animais à extinção.

Sanguessuga (Hirudo medicinalis): parasita que já salvou muitas vidas

Sanguessuga
É difícil acreditar, mas um dos animais hematófagos mais conhecidos do mundo, a sanguessuga, já foi bastante usado para salvar vidas. Os médicos ofereciam seus pacientes ao parasita na tentativa de tratar problemas circulatórios e de coagulação. Tanto que suas glândulas salivares viraram fonte de um remédio anticoagulante bastante comum. Hoje, seu uso está mais restrito a tratamentos alternativos.

Esses invertebrados anelídeos vivem quase sempre em água doce e muitas espécies são carnívoras, além de devoradoras de sangue. As sanguessugas são capazes de ingerir uma quantidade de líquido centenas de vezes maior que seu próprio volume. 

Fonte: UOL Notícias Ciências

Nasa confirma oceano em Lua de Júpiter




Cientistas que utilizam o Telescópio Espacial Hubble confirmaram que a lua Ganímedes, na órbita de Júpiter, possui um oceano por baixo de uma crosta superficial de gelo, elevando a probabilidade da presença de vida, afirmou a Nasa nesta quinta-feira (12).

A descoberta resolve um mistério relacionado à maior Lua do sistema solar após a nave Galileo, já aposentada, ter fornecido pistas sobre a existência de um oceano abaixo da superfície de Ganímedes enquanto cumpria uma missão exploratória ao redor de Júpiter e de suas luas, entre 1995 e 2003.

Assim como a Terra, Ganímedes possui um núcleo de ferro fundido que gera um campo magnético, embora o campo magnético de Ganímedes seja amalgamado ao campo magnético de Júpiter. Isso dá origem a uma interessante dinâmica visual, com a formação de duas faixas de auroras brilhantes nos pólos norte e sul de Ganímedes.

O campo magnético de Júpiter se altera com sua rotação, agitando as auroras de Ganímedes. Cientistas mediram tais movimentos e descobriram que os efeitos visuais se mostravam mais restritos do que deveriam.

Usando modelos gerados por computador, eles chegaram à conclusão de que um oceano salgado, capaz, portanto, de conduzir eletricidade, abaixo da superfície da Lua se contrapunha à atração magnética de Júpiter.

"Júpiter é como um farol cujo campo magnético muda conforme a rotação do farol. Isso influencia a aurora", explicou o geofísico Joachim Saur, da Universidade de Colônia, na Alemanha. "Com o oceano, a agitação fica significativamente reduzida."

Os cientistas testaram mais de 100 modelos computadorizados para observar se qualquer outro elemento poderia ter impacto sobre a aurora de Ganímedes. Eles também reprocessaram sete horas de observações ultravioletas do Hubble e analisaram dados sobre ambos os cinturões de aurora da Lua.

O diretor da Divisão de Ciência Planetária da Nasa, Jim Green, classificou a descoberta como "uma demonstração surpreendente".

"Eles desenvolveram uma nova abordagem para se observar a parte interna de um corpo planetário com um telescópio", disse Green.

Ganímedes se junta agora a uma crescente lista de luas localizadas nas partes mais afastadas do sistema solar que possuem uma camada de água abaixo da superfície.

Na quarta-feira (11), cientistas disseram que a lua de Saturno, Encélado, possui correntes quentes de água abaixo de sua superfície gélida. Entre outros corpos ricos em água estão Europa e Callisto, também luas de Júpiter.

Fonte: UOL