domingo, 23 de agosto de 2009

Diploma sem sair de casa

Legal esta reportagem da Veja sobre Ensino à Distância.

Muita gente no Brasil torce o nariz para os cursos
de graduação a distância – mas eles podem oferecer
ensino de alto nível e atrair para a universidade
quem hoje está de fora.
(Marana Borges e Monica Weinberg)

Os cursos de graduação a distância, aqueles que o aluno faz sem praticamente ir à universidade, estão no centro de uma polêmica. Enquanto proliferam no Brasil – de 40 000 matrículas, em 2002, já contam com 760 000 –, eles suscitam críticas variadas. Na última paralisação da USP, em junho, essa modalidade de ensino, que já se decidiu implantar ali, foi demonizada pelos grevistas. Eles diziam se tratar de uma graduação de "segunda categoria" que acabaria por manchar a reputação da universidade. Essa mesma ideia justificou as sucessivas negativas dadas por governos ao pleito das faculdades para regulamentar a graduação a distância no país. Na década de 80, ela chegou a ser referida em rodas de Ph.Ds. pelo pejorativo apelido de "supletivo de smoking". Parte da desconfiança em relação a tais cursos vem do próprio mercado. "É necessário mais tempo para que as grandes empresas entendam que esse diploma vale tanto quanto o outro", avalia Sofia Esteves, que faz recrutamento de estagiários e trainees. A discussão passa ao largo dos fatos. No mundo inteiro, os cursos universitários a distância funcionam muito bem. No Brasil, os primeiros resultados sobre eles indicam o mesmo. "Existe no país uma sacralização da sala de aula, o que remete às primeiras escolas do século XIX", diz Maria Inês Fini, doutora em educação. "É um apego a uma concepção de ensino que não tem mais lugar, especialmente no mundo pós-internet."

O ensino a distância surgiu no Brasil no início do século passado e, durante décadas, foi sinônimo de curso por correspondência. Os alunos liam as apostilas em casa. Enviavam e recebiam suas dúvidas e seus exames pelo correio. Certo avanço se viu nos anos 70, quando à velha fórmula se somaram aulas transmitidas na televisão – caso do tradicional Telecurso. Tudo isso, no entanto, guarda apenas uma remota semelhança com o fenômeno atual. Primeiro, porque, até 1996, nem sequer havia uma legislação no país que reconhecesse cursos a distância de nível superior. Outra mudança decisiva diz respeito à consolidação da internet, com a perspectiva de tornar tais aulas mais interativas e atraentes. "A participação dos alunos no ambiente virtual é muito maior do que na sala de aula", observa João Vianney, diretor do ensino on-line da Unisul, universidade particular de Santa Catarina e uma das pioneiras na modalidade. Além dos populares fóruns e chats, alguns dos recursos da internet usados nessas aulas ampliam, e muito, as possibilidades de um estudante universitário. Por exemplo, permitindo que os alunos de administração da Unisul simulem as atividades da bolsa de valores ou que os da Fundação Getulio Vargas executem extensos trabalhos em rede. É o que faz o engenheiro Alexandre Bittar, 38 anos, que, tarde da noite, costuma estar em casa às voltas com uma atividade pouco usual: ele ora tira dúvidas com um professor, ora debate com os colegas de classe – tudo na internet. "Foi o que tornou viável estudar um assunto que já me fazia falta no trabalho", diz Alexandre, matriculado na graduação em processos gerenciais da FGV. A lei exige das faculdades que contem com pelo menos um tutor por curso: alguém de plantão encarregado de dar a supervisão necessária. Na FGV, eles chegam até a entrar na rede para comentar os exercícios feitos e monitorar o número de vezes que cada aluno acessou o site (veja o quadro).

Os cursos mencionados acima representam o suprassumo do ensino on-line no Brasil. É claro que também existem arapucas. O MEC compôs uma lista negra com 2 000 unidades de onze universidades que terão de se adequar aos padrões do bom ensino on-line. Se não melhorarem, terão de fechar. É o que se vê numa das filiais da Universidade Metropolitana de Santos, em Taboão da Serra, em São Paulo. Lá, a secretaria informa que, para falar com um tutor, é preciso marcar hora uma semana antes. Apesar de oferecer cursos de biologia e física, não há na sobreloja em que a faculdade está instalada nenhum sinal de laboratório, tampouco de biblioteca – equipamentos básicos. "Fico limitada ao que colocam na internet", queixa-se a aluna de geo-grafia Maria Alice Oliveira.

Na média, contudo, a graduação on-line já alcança notas ligeiramente melhores do que as dos cursos tradicionais, de acordo com o MEC. É verdade que a média – 47,5 numa escala de zero a 100 – não é exatamente alta, mas sua vantagem talvez seja um indicativo de algo para que os especialistas vêm chamando atenção. "Quando há mais autonomia, o estudo tende a ser mais focado, intenso e eficiente", diz João Vianney, que pesquisou o assunto. Além disso, o ensino a distância requer um plano de aulas muito bem estruturado, o que falta à maioria das faculdades. O melhor exemplo de como o modelo funciona, se bem aplicado, vem da Open University, que surgiu na Inglaterra em 1969 e só oferece cursos a distância. Nos rankings, já ombreia com as melhores universidades do país, como Oxford e Cambridge. O que falta a 90% das instituições brasileiras é aprender a explorar adequadamente as potencialidades da internet. Ela é acessada, na maioria das vezes, apenas para a leitura de textos, enquanto a interação entre professores e alunos se dá, basicamente, nas ocasiões em que os estudantes vão à faculdade, em média uma vez por semana. No lugar do contato em tempo real, proporcionado pela rede, nesses casos eles assistem, in loco, às chamadas teleaulas, gravadas e transmitidas na televisão. Perguntas são feitas depois, em geral por e-mail.

A discussão sobre usar ou não a internet no ensino tornou-se ultrapassada, uma vez que ela já se provou uma ferramenta útil em todos os níveis de ensino. Em países como Coreia do Sul e Japão, por exemplo, alunos de diferentes escolas fazem trabalhos colaborativos na rede – sistema que reproduz, em menor escala, o que se passa entre os grandes centros de pesquisa do mundo. O efeito positivo se vê nas notas. Existe um consenso de que, quanto mais velho o aluno, melhores suas condições de chegar a respostas e avançar por si mesmo, daí os bons resultados da graduação a distância. Ainda que nem sempre ofereçam toda a grade de matérias on-line – especialmente em cursos que requerem mais experiências práticas, como medicina ou biologia –, algumas das melhores universidades do mundo já começam a dar aos alunos a opção de fazer parte das disciplinas a distância.

A tendência é que isso se repita no Brasil. Em cinco anos, a previsão é que esses estudantes representem um terço do total, proporção semelhante à dos países mais ricos da OCDE. Parece realista. Hoje, 80% dos jovens brasileiros ainda estão fora da universidade. "Com mensalidades até 50% mais baixas e flexibilidade de horário, esses cursos serão o único caminho para muita gente voltar para a sala de aula", conclui o especialista Ryon Braga. É por meio do ensino a distância que as universidades públicas pretendem ampliar o número de vagas e os grandes grupos privados planejam expandir seus negócios. Para os que estão esparramados pelo país inteiro, compensa. Não apenas porque fazem uso de prédios em que já estão instalados como por atraírem alunos sem investir tanto em marketing, uma vez que contam com um nome consolidado. Os que conseguirem oferecer ensino de alto nível estarão dando chance para que jovens hoje fora da universidade tenham, enfim, um bom diploma.

Com reportagem de Nathália Butti

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

CCJ aprova turno de 8 horas no ensino fundamental

http://educacao.uol.com.br/ultnot/2009/08/20/ult4528u788.jhtm
20/08/2009 - 10h54

Uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que torna obrigatório o ensino fundamental integral de oito horas foi aprovada ontem pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados. A proposta vai para uma comissão especial antes de ser levada ao plenário da Câmara.

A PEC, apresentada pelo deputado Felipe Maia (DEM-RN), não dá prazo ou fonte de recursos para financiar a ampliação do ensino integral para a rede de ensino fundamental. Apenas determina sua obrigatoriedade após a aprovação da mudança constitucional. "Isso fica para uma futura regulamentação. Não cabe à Constituição a previsão de prazos ou fonte de recursos", alegou o deputado.

Atualmente, 406.964 alunos de ensino fundamental no País estudam em escolas em turno integral, o que representa 1,3% do total. Tornar todas as escolas em tempo integral faz parte dos planos do MEC (Ministério da Educação), mas em um ritmo muito mais lento do que pretende o deputado. Segundo o ministro Fernando Haddad, o MEC tem em seu orçamento deste ano recursos para apoiar 4,4 mil escolas que terão turno integral. Em 2008 foram 1,4 mil; em 2010, serão 10 mil.

Além disso, no Fundeb (Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica), um estudante matriculado em turno integral vale, para o Estado ou município, 25% a mais no repasse de recursos. "O Brasil tem que caminhar nessa direção", defende Haddad. "Mas seria melhor se houvesse um prazo e uma fonte de recursos para financiar essa mudança." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Geografia - Qual é a diferença entre Inglaterra, Grã-Bretanha e Reino Unido?

Edição 214 | 08/2008 - Nova Escola
Uma explicação bem clara.
Marina Sotelo, Recife, PE



Ilustração: Cássio Bittencourt

A Grã-Bretanha é uma ilha da Europa que abriga a Inglaterra, a Escócia e o País de Gales. O Reino Unido é um agrupamento político que congrega os países da Grã-Bretanha mais a Irlanda do Norte. As relações entre Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte com o Reino Unido são semelhantes às que definem os governos federalistas: há um poder soberano central e autonomia relativa nas unidades constituintes. Já a Escócia tem um autogoverno limitado, submetido ao Parlamento britânico.

Consultoria Reginaldo Nasser, coordenador do curso de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Internet: amiga ou inimiga da educação?

Este é um assunto que muitas vezes nós, educadores, estamos debatendo e procurando respostas, meios de como fazê-lo, orientações e capacitação. Foi retirado do site http://olhardigital.uol.com.br. Tem várias informações interessantes do mundo digital lá.

Quinta-feira, 16 de julho de 2009 às 13h30

* Eduardo Shinyashiki

A internet, muitas vezes, é vista como inimiga da educação. Retratada como um ambiente descontrolado onde sobra material pornográfico, inutilidades várias e artigos de cultura inútil. Mas alguns profissionais, atualizados com as evoluções no mundo da comunicação e da web, enxergam esse mundo possível com outro olhar: nessa terra sem lei, sobram oportunidades, mesmo que anárquicas, de conhecimento, ferramentas usáveis na sala de aula e fora dela, úteis na hora de manter o aprendizado dos alunos em momentos de diversão e descontração.

A Wikipédia é um dos exemplos mais claros de como o digital pode favorecer o conhecimento e o desenvolvimento intelectual. Com 7,5 milhões de artigos, o site colaborativo pode ser alterado por qualquer um e se apresenta como uma poderosa ferramenta educacional. O site possui vários portais de conteúdo educativo com materiais de Arte, História, Matemática e Filosofia.

Mas é importante deixar claro que a internet só é fonte de conhecimento quando o usuário procura por esse conhecimento. Caso contrário, a criança ou o jovem desviarão de todo e qualquer conteúdo interessante e atingirão materiais que não agregarão a sua formação.

É nesse momento que o educador entra em cena. Mostrando caminhos, abrindo trilhas pelas teias de informação e mostrando o alvo certo ao aluno. A escola deve ultrapassar as cadeiras tradicionais e invadir o espaço eletrônico, ensinando o aluno a utilizar com consciência o mundo de possibilidades que é a internet. Não podemos esperar que uma criança de nove anos prefira o site da TV Escola aos jogos do Cartoon Network, é função de pais e educadores mostrar que sites educativos podem ser interessantes e divertidos.

Quanto aos adolescentes, muito do que eles sabem sobre a internet foi aprendido de forma autodidata, e muito desse aprendizado não foca na qualidade, mas na facilidade. Um exemplo claro é o número de trabalhos feitos na base do “copia e cola”. Esse mau hábito pede por reeducação, conscientização dos jovens, no sentido de que o aprendizado acontece superficialmente com um método no qual uma pesquisa acontece apenas com o clique do mouse, e não com o bater do teclado e o giro do pensamento.

Cabe a pais e educadores, a partir das informações aqui contidas e em outros inúmeros artigos sobre internet e aprendizado, decidirem como usar essa poderosa ferramenta, a favor ou contra, amiga ou inimiga da educação e do desenvolvimento intelectual de seus filhos e alunos.

Eduardo Shinyashiki é consultor, palestrante e diretor da Sociedade Cre Ser. Autor do livro Viva Como Você quer Viver, da Editora Gente. Para mais informações, acesse www.edushin.com.br.

Qual é a diferença entre açúcar e adoçante?


Para continuar com o informativo sobre adoçantes, segue aí um material retirado da Revista Nova Escola.

Julho de 2009

Enquanto cada grama de açúcar possui 4 kcal, no adoçante essa quantidade é quase nula

Quando se toma um suco ou um cafezinho, muita gente ainda titubeia na hora de escolher entre o açúcar e o adoçante. Afinal, qual é a diferença entre eles? O açúcar que se consome como alimento é produzido comercialmente a partir da cana-de-açúcar ou da beterraba. Essencialmente, ele é um carboidrato, nutriente responsável por fornecer energia para o corpo. "É um tipo de carboidrato absorvido rapidamente pelo organismo", diz Viviane Vieira, nutricionista da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP). Já o adoçante, ela explica, "são produzidos artificialmente a partir de diversas matérias-primas, como aminoácidos, produtos sintéticos e derivados da cana, fornecendo poucas calorias ou nenhuma".

Essa diferença na quantidade de calorias é a característica mais importante quando se compara o açúcar ao adoçante. "Cada grama de açúcar fornece 4 kcal, enquanto no adoçante essa quantidade é reduzidíssima". É por essa razão que as pessoas que desejam emagrecer ou que precisam restringir o açúcar na dieta, como os diabéticos, acabam optando pelo adoçante. "O açúcar pode ser, por outro lado, a melhor opção para aqueles que querem aumentar o peso ou para crianças, que não devem ter a dieta com substâncias artificiais. De qualquer forma, tanto para um quanto para outro, existe uma quantidade recomendada e o excesso de ambos pode trazer prejuízos para a saúde", aleta Viviane. Ela explica que existe uma legislação que orienta a quantidade segura de consumo de cada tipo de adoçante (aspartame, ciclamato, sacarina, estévia, sucralose). "Dentro desse limite, não há riscos comprovados à saúde", diz a nutricionista. Mas ressalta que, para algumas pessoas, como crianças e gestantes, esse consumo deve ser mais controlado.

sábado, 11 de julho de 2009

Objetivos da EJA

Segue abaixo uma reportagem da Revista Nova Escola, que ajuda a ampliar nossos conceitos e conhecimenos sobre a EJA.

Edição 223 | Junho 2009

"A EJA tem agora objetivos maiores que a alfabetização"

Para o especialista inglês, é desafio da modalidade de ensino preparar para o mercado de trabalho e um mundo em transformação

A Educação de Jovens e Adultos (EJA) ainda é vista por muitos como uma forma de alfabetizar quem não teve oportunidade de estudar na infância ou aqueles que por algum motivo tiveram de abandonar a escola. Felizmente, o conceito vem mudando e, entre os grandes desafios desse tipo de ensino, agora se inclui também a preparação dos alunos para o mercado de trabalho - o que ganha destaque nestes tempos de crise econômica. "Hoje sabemos do valor da aprendizagem contínua em todas as fases da vida, e não somente durante a infância e a juventude", afirma o inglês Timothy Ireland, mestre e doutor na área e especialista em Educação da representação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no Brasil.
Diretor do Departamento de EJA do Ministério da Educação (MEC) de 2004 a 2007, Ireland foi o responsável pela coordenação da sexta edição da Conferência Internacional de Educação de Adultos (Confintea), o mais importante encontro do mundo na área, que ocorre apenas a cada 12 anos. Sediado em Belém do Pará entre os dias 19 e 22 de maio, o evento foi realizado pela primeira vez na América Latina. Nesta entrevista, concedida à NOVA ESCOLA antes do início da conferência, Ireland apresenta um panorama de sua área e fala das principais questões que preocupam os estudiosos e dos desafios ainda a vencer.

Quando o assunto é EJA, se pensa em primeiro lugar na alfabetização. Essa é a função principal dela?
TIMOTHY IRELAND A alfabetização é uma parte fundamental, mas não é a única. No Brasil, a EJA tem sido associada à escolaridade compensatória para pessoas que não conseguiram ir para a escola quando crianças, o que é um erro. A Unesco trabalha com o conceito dos quatro pilares, surgido do desafio apresentado por um mundo em rápida transformação: precisamos aprender a ser, a viver juntos, a fazer e a conhecer. Também há o desafio da participação, da inclusão e da equidade: como colocar em prática o conceito da inclusão, que prevê o atendimento das demandas de aprendizagem da vasta diversidade de grupos. O Brasil tem segmentos com características bem definidas, como os povos indígenas, as comunidades quilombolas, as pessoas mais velhas. Todos têm direito à Educação.

O que gerou tantas transformações nessa modalidade de ensino?
IRELAND Isso ocorreu porque a Educação tem de acompanhar as mudanças que estão acontecendo e interagir com elas. O processo educativo, idealmente, começa na infância e termina somente na velhice. Dessa forma, a EJA tem de ser vista numa perspectiva mais ampla, dentro do conceito de Educação e aprendizagem que ocorre ao longo da vida.

O que essa aprendizagem contínua contempla?
IRELAND O processo tem três dimensões: a individual, a profissional e a social. A primeira considera a pessoa como um ser incompleto, que tem a capacidade de buscar seu potencial pleno e se desenvolver, aprendendo sobre si mesmo e sobre o mundo. Na profissional, está incluída a necessidade de todas as pessoas se atualizarem em sua profissão. Um médico, um engenheiro, um físico, todos os profissionais precisam se requalificar. Em momentos de crise, como o atual, isso fica ainda mais necessário. É comum o trabalhador ter de aprender um novo ofício para se inserir no mercado. Na social (que é a capacidade de viver em grupo), um cidadão, para ser ativo e participativo, necessita ter acesso a informações e saber avaliar criticamente o que acontece. Além dessas, há outra dimensão de aprendizagem muito pertinente neste momento: a relação das pessoas com o meio ambiente. Todos nós temos a necessidade de nos reeducarmos no que se refere a essa questão. Precisamos praticar novos paradigmas de sustentabilidade e novos hábitos de consumo.

Qual a importância dos programas de alfabetização de adultos no Brasil?
IRELAND Existe uma vontade política muito forte de reduzir as estatísticas de analfabetismo. Para um país que pretende ser uma potência mundial, ter um número significativo de pessoas que não sabem ler e escrever é um ruído na imagem. Também é essencial lembrar que esse é um dos indicadores usados para calcular o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Por fim, no campo pedagógico, a alfabetização representa o alicerce do processo de Educação, o portal pelo qual é necessário passar para poder continuar aprendendo.

Como adequar esses programas a um mundo em que o conceito de alfabetização tem se ampliado?
IRELAND De acordo com o conceito da Unesco, a alfabetização é a habilidade para identificar, entender, interpretar, criar, calcular e se comunicar mediante o uso de materiais escritos vinculados a diferentes contextos. Dessa forma, o essencial é compreender que ela não é mais entendida apenas como o domínio básico da leitura, da escrita e das operações matemáticas. Para uma pessoa realmente possuir essas habilidades, ela tem de concluir pelo menos o Ensino Fundamental.

Quais são os países mais bem-sucedidos na EJA hoje?
IRELAND Existem alguns com uma forte tradição nessa área, como Inglaterra, França e Itália, que têm introduzido na legislação o conceito de Educação ao longo da vida. Em geral, os europeus reconhecem o papel da EJA para o futuro social e econômico. Entre as nações emergentes, também há bons exemplos. Um deles é a Coreia do Sul, que estabeleceu dois planos nacionais de cinco anos para o desenvolvimento da aprendizagem ao longo da vida. Outro é a China. Na América Latina, Cuba tem investido em Educação para todos e com qualidade. Prever verbas para a EJA é crucial para o desenvolvimento de qualquer nação.

Segundo dados da Unesco referentes à América do Sul, a taxa de analfabetismo no Brasil só não é pior que a do Peru. Por que estamos tão mal?
IRELAND Eu apontaria três fatores principais. Primeiro, a riqueza natural do Brasil. Talvez ela tenha contribuído para que a Educação não fosse prioridade. Com tantos recursos, parecia não ser necessário investir nas pessoas. O segundo é que, obviamente, oferecer ensino em um país do tamanho do Brasil é muito mais difícil do que em outros menores, como o Uruguai e o Paraguai. Por fim, creio que não exista uma valorização da Educação. Só recentemente os governantes começaram a entendê-la como essencial para o desenvolvimento sustentável. Durante muito tempo, ela não tinha valor social nem para o próprio povo.

Houve avanços nos últimos tempos?
IRELAND Um esforço muito maior tem sido feito recentemente, com investimentos nessa área. O fato de a EJA ter sido incluída no Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) foi fundamental para garantir uma fonte estável de recursos. Antigamente, se escolhia uma fase da Educação como foco, mas o governo atual tem uma visão sistêmica do setor e defende o investimento em todos os níveis de ensino.

O que falta para que o Brasil tenha menos demanda para a EJA?
IRELAND Há um problema sério. Muitos jovens que saem da escola semianalfabetos se matriculam na EJA. Eles não deveriam migrar para essa modalidade por falta de qualidade na escola regular. Para que um nível não gere demandas desnecessárias para outro e como forma de garantir continuidade nos estudos aos que aprendem a ler e escrever, é necessário estabelecer um projeto de políticas de alfabetização articulado com outros níveis de ensino. Aliado a isso, é necessário também investir mais na profissionalização dos educadores.

Os professores não estão bem preparados para educar jovens e adultos?
IRELAND Obviamente existem os que são muitos bons. Na maioria dos casos, os educadores desse público são improvisados e não têm preparo específico para atender esse público. Há formas diferenciadas de trabalhar com EJA e menos de 2% dos cursos de Pedagogia oferecem formação específica para esse fim.

Dados da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade mostram que a evasão no Ensino Fundamental na EJA chega a 20%. Como evitar isso?
IRELAND Há diversas variáveis interferindo nesse processo. Muitas vezes, o estudante não deixa voluntariamente a escola. Faz isso por causa da família ou do trabalho. Também existe a questão da qualidade do curso oferecido. Falta pensar a EJA com base nas demandas de aprendizagem dessa clientela específica. É importante reconhecer que a maioria dos estudantes que procuram concluir a Educação formal também carece de qualificação profissional e, por isso, deve-se articular a formação deles com a Educação continuada.

Como isso pode ser feito?
IRELAND Há duas iniciativas do governo que representam um grande avanço na área: o Proeja (Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos) e o Projovem (Programa Nacional de Inclusão de Jovens).

Além dessa relação com o mundo do trabalho, há outras a promover?
IRELAND Sem dúvida. O MEC tem um papel importante de coordenar políticas que busquem a interface com outros setores. Já há relações fortes com a comunicação e a saúde. Pesquisas mostram claramente que mulheres com maior escolaridade cuidam melhor do bem-estar dos filhos. Há outros pontos que permeiam os dois campos. Os ministérios da Educação e da Saúde, por exemplo, se articularam para providenciar exames de vista e óculos para os que estão matriculados no programa Brasil Alfabetizado. Isso já ocorria com crianças, mas o reconhecimento de que o problema também afeta os mais velhos é muito bom.

O que mudou na área desde a última Confintea, em Hamburgo? As metas estabelecidas foram cumpridas?
IRELAND Na edição de 1997, abriu-se muito o leque de responsabilidades a que a EJA tinha de atender. Além de contribuir para o desenvolvimento de cada ser humano, ela tinha de contemplar a questão do mundo do trabalho e até a paz mundial. Foram criadas demandas além de sua própria capacidade. No período imediatamente posterior à reunião, houve muito otimismo. Achava-se que os compromissos iriam se reverter em novos investimentos e esforços por parte dos governos. Mas isso não se deu. Quando se fala da avaliação da Confintea de Hamburgo, hoje o que sobressai é passar da retórica para a ação.

Quais são, então, os desafios atuais?
IRELAND Atender a expectativas criadas em Hamburgo e também contemplar a crise financeira e econômica, que resultou na recessão global. Não há como negar que a EJA tem demandas próprias. É impossível desenvolver programas de qualidade sem que os recursos estejam garantidos. Normalmente, nas escolas são improvisados o local para essas aulas, os materiais utilizados e os educadores. Pra resolver isso, a profissionalização do corpo docente e o enriquecimento dos ambientes de aprendizagem são fundamentais. Em termos de gestão, é essencial implementar políticas de forma mais efetiva, transparente, eficaz e responsável, envolvendo na decisão representantes dos segmentos que participam da EJA - como a sociedade civil.

Criar políticas é papel da Confintea?
IRELAND Em geral, a conferência estabelece linhas ou orientações políticas, mas é necessário que ela crie mecanismos para avaliar o que está sendo feito.

Conselho de um advogado

Recentemente fui vítima de um incidente e segui os procedimentos descritos por um e-mail que recebi a algum tempo. Parece que valeu, pois até agora não tive problema. Por isso resolvi divulgá-lo.

Informativo NÃO DEIXE DE LER! CONSELHO DE ADVOGADO
Um advogado circulou a seguinte informação para os empregados na Companhia dele: 1. Não assine a parte de trás de seus cartões de crédito. Ao invés, escreva 'SOLICITAR RG' . 2. Ponha seu número de telefone de trabalho em seus cheques em vez de seu telefone de casa. Se você tiver uma Caixa Postal de Correio use este em vez de seu endereço residencial. Se você não tiver uma Caixa Postal, use seu endereço de trabalho. Ponha seu telefone celular ao invés do residencial. 3. Tire Xerox do conteúdo de tua carteira. Tire cópia de ambos os lados de todos os documentos, cartão de crédito, etc. Você saberá o que você tinha em sua carteira e todos os números de conta e números de telefone para chamar e cancelar. Mantenha a fotocópia em um lugar seguro. Também leve uma fotocópia de seu passaporte quando for viajar para o estrangeiro. Se sabe de muitas estórias de horror de fraudes com nomes, CPF, RG, cartão de créditos, etc... roubados. Infelizmente, eu, um advogado, tenho conhecimento de primeira mão porque minha carteira foi roubada no último mês. Dentro de uma semana, os ladrões ordenaram um caro pacote de telefone celular, aplicaram para um cartão de crédito VISA, tiveram uma linha de crédito aprovada para comprar um computador, dirigiram com minha carteira, e mais..... Mas aqui está um pouco de informação crítica para limitar o dano no caso de isto acontecer a você ou alguém que você conheça. E MAIS .... 4. Nós fomos informados que nós deveríamos cancelar nossos cartões de crédito imediatamente. Mas a chave é ter os números de telefone gratuitos e os números de cartões à mão, assim você sabe quem chamar. Mantenha estes onde você os possa achar. 5. Abra um Boletim Policial de Ocorrência imediatamente na jurisdição onde seus cartões de crédito, etc., foram roubados. Isto prova aos credores que você tomou ações imediatas, e este é um primeiro passo para uma investigação (se houver uma). Mas aqui está o que é talvez mais importante que tudo: 6. Chame imediatamente o SPC (11-3244-3030) e SERASA (11-33737272) (e outros órgãos de crédito se houver) para pedir que seja colocado um alerta de fraude em seu nome e número de CPF. Eu nunca tinha ouvido falar disto até que fui avisado por um banco que me chamou para confirmar sobre uma aplicação para empréstimo que havia sido feita pela Internet em meu nome. O alerta serve para que qualquer empresa que confira seu crédito saiba que sua informação foi roubada, e eles têm que contatar você por telefone antes que o crédito seja aprovado. Até que eu fosse aconselhado a fazer isto (quase duas semanas depois do roubo), todo o dano já havia sido feito. Há registros de todos os cheques usados para compras pelos ladrões, nenhum de que eu soube depois que eu coloquei o alerta. Desde então, nenhum dano adicional foi feito, e os ladrões jogaram fora minha carteira. Este fim de semana alguém a devolveu para mim. Esta ação parece ter feito eles desistirem. Passamos para frente muitas piadas pela Internet . Mas se você estiver disposto a passar esta informação, realmente poderá ajudar alguém.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Conselho de Educação aprova fim de disciplinas no ensino médio; cem escolas devem implantar

Novidades na educação. A ideia parece boa, resta saber se a intenção segue o mesmo caminho.

01/07/2009 - 06h26

O CNE (Conselho Nacional de Educação) aprovou nesta terça-feira (30), em Brasília, a proposta do MEC (Ministério da Educação) de apoiar currículos inovadores para o ensino médio. Pelo projeto, será possível lecionar os conteúdos de maneira interdisciplinar, sem que sejam divididos nas tradicionais disciplinas como história, matemática ou química. O aluno também terá condições de escolher parte de sua grade de estudos.
A partir de 2010, cerca de cem escolas deverão receber financiamento da pasta para implantar mudanças curriculares com o objetivo de tornar a etapa de estudos mais atraente.

"Esperamos que essa proposta seja acompanhada e avaliada e possa se tornar uma política universal", disse a secretária de educação básica do MEC, Maria do Pilar Lacerda.

De acordo com ela, a intenção é que o programa seja estendido e que todas as escolas que oferecem ensino médio possam adotar as mudanças curriculares. "Nossa intenção não é ter escolas modelos, mas que todas possam oferecer ensino de mais qualidade", disse o coordenador-geral do ensino médio da Secretaria de Educação Básica, Carlos Artexes Simões.

Como funciona a ideia
Pela proposta, o ministério financiará projetos de escolas públicas que privilegiem, entre outras mudanças, um currículo interdisciplinar e flexível para o ensino médio.

A intenção é que a atual estrutura curricular - organizada em disciplinas - seja substituída pela organização dos conteúdos em quatro eixos: trabalho, ciência, tecnologia e cultura, para que os conteúdos ensinados ganhem maior relação com o cotidiano e façam mais sentido para os alunos. Outra mudança a ser estimulada é a flexibilidade do currículo: 20% da grade curricular deve ser escolhida pelo estudante.

O texto prevê o aumento da carga horária mínima do ensino médio - de 2,4 mil horas anuais para 3 mil - além do foco na leitura, que deve passar por todos os campos do conhecimento. A proposta estimula experiências com a participação social dos alunos e o desenvolvimento de atividades culturais, esportivas e de preparação para o mundo do trabalho.

Segundo Artexes, a partir das recomendações do CNE à proposta, o ministério terá condições de organizar o programa e apresentá-lo aos estados e ao Distrito Federal. "Nos próximos 40 dias, o ministério definirá o volume de recursos disponível para o programa e a forma de financiamento, se diretamente à escola ou se por meio de convênio com as secretarias estaduais", afirmou.

* Com informações da Assessoria de Imprensa do MEC
http://educacao.uol.com.br/ultnot/2009/07/01/ult105u8325.jhtm

domingo, 28 de junho de 2009

Mito ou verdade: adoçantes provocam câncer?

Uma matéria interessante a respeito de um produto amplamente utilizado pelas pessoas. Vale a pena ser lido para conhecer melhor esses produtos.


28/06/2009 - 08h00
Chris Bueno
Especial para o UOL Ciência e Saúde

Açúcar ou adoçante? A pergunta na hora de servir um cafezinho esconde um dilema. Se o açúcar virou vilão da alimentação saudável, os adoçantes também não estão imunes a críticas. Há indícios de que eles possam causar retenção de líquidos e especialistas divergem sobre o risco de câncer associado a esses produtos.

Desde que os primeiros adoçantes foram lançados no mercado, surgiram também as dúvidas sobre seus riscos para a saúde humana. Spams, blogs e fóruns de discussão alarmam sobre os perigosos efeitos colaterais dessas substâncias, mas a verdade é que ainda não há comprovação suficiente de que os adoçantes provocam tumores em seres humanos.

A dúvida surgiu nos anos 1970, quando pesquisadores americanos realizaram testes em ratos utilizando grandes quantidades de sacarina e ciclamato (tipos bem populares de adoçantes). O resultado foi o surgimento de câncer de bexiga nas cobaias. Porém, os testes utilizaram quantidades altíssimas dos produtos, o equivalente ao consumo humano de 700 latas de refrigerantes por dia.

O medo aumentou quando outros testes realizados no Japão indicaram que o ciclamato não era completamente absorvido pelo intestino, e parte desse resíduo era convertido pelo organismo em ciclohexilamina, uma substância considerada cancerígena. Porém, pesquisas posteriores mostraram que a quantidade de ciclohexilamina produzida era muito pequena - cerca de 0,1% na maioria dos usuários regulares do ciclamato.

Devido a esses testes, o ciclamato é proibido nos Estados Unidos desde 1969. Outros países seguiram o exemplo, mas, como as inúmeras pesquisas posteriores não comprovaram o risco, o produto foi novamente liberado para comercialização em muitos lugares.

Hoje, o ciclamato é aprovado e utilizado em mais de 50 países, inclusive na União Europeia e no Brasil, e o adoçante está sendo reavaliado pela Food And Drug Administration, o FDA (agência norte-americana que regula medicamentos e aditivos alimentares), com grandes chances de voltar a ser comercializado.

Outro adoçante, o aspartame, também foi acusado de ser cancerígeno. Em 2006, testes realizados na Itália pela Fundação Europeia de Oncologia e Ciências do Meio Ambiente apontaram que a substância era capaz de provocar linfomas e leucemia em ratos, mesmo quando administrada em doses muito parecidas com a dose diária admitida para o homem. Novamente, os testes seguintes não puderam comprovar o risco do produto em seres humanos, o que levou a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA) a divulgar um parecer alegando que não havia evidências que sustentassem uma associação entre o aspartame e o câncer.

"A literatura científica apresenta muitas controvérsias sobre os compostos substitutos do açúcar. No entanto, é preciso levar em conta que estudos populacionais requerem uma grande amostragem, com seguimento contínuo, sintomas semelhantes etc. No caso do câncer, que se apresenta como uma doença multifatorial, é perigoso mostrar essa relação causal", ressalta a bioquímica Aureluce Demonte, professora do Departamento de Alimentos e Nutrição da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Araraquara.

Além do câncer

As suspeitas sobre os efeitos dos adoçantes na saúde vão além do câncer. Há quem diga que o ciclamato é responsável por alterações genéticas e atrofia testicular. E o aspartame é acusado de causar danos neurológicos, por ter como um dos principais elementos de sua composição o ácido aspártico, uma neurotoxina (substância que causa a morte dos neurônios e danos ao sistema nervoso).

O que coloca em cheque essas acusações é o fato de que os testes realizados utilizaram doses muito grandes dessas substâncias. "Sabe-se hoje que, para ter um efeito semelhante, seria necessário consumir um pote inteiro de adoçante por dia, por um tempo prolongado. Para indivíduos saudáveis e com consumo moderado, os adoçantes não trazem riscos à saúde", afirma a nutricionista Vanessa Kirsten, professora e coordenadora do Curso de Nutrição do Centro Universitário Franciscano (Unifra), no Rio Grande do Sul.

Um consolo para os consumidores desses produtos é que eles são inspecionados e liberados para o consumo por agências reguladoras. Tanto a sacarina como o ciclamato e o aspartame são aprovados pela agência europeia e pela brasileira Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Com exceção do ciclamato, a FDA, a Associação Americana do Coração e a Associação Americana de Diabetes também aprovam as substâncias. Mas lembre-se de respeitar os limites indicados nos rótulos!

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Aumento de oxigênio nos oceanos pode ter levado ao surgimento de animais complexos

ciência
20/12/2006
Um estudo agora divulgado traz uma nova explicação para resolver um enigma que tem intrigado cientistas há muito tempo, a começar pelo inglês Charles Darwin (1809-1892).
Após quase 3 bilhões de anos em que a evolução na Terra ocorreu principalmente entre organismos unicelulares, grandes animais passaram a fazer parte da cena. Não que tenham surgido subitamente, mas a ocorrência desses animais complexos no registro fóssil de 500 milhões de anos permanece um mistério.
O próprio “pai da evolução” se dizia perplexo com o surgimento dos grandes animais, a ponto de a questão ter-se tornado conhecida como “dilema de Darwin”. Agora, um grupo de pesquisadores liderado pelo paleontólogo Guy Narbonne, da Universidade de Queens, na Inglaterra, aponta uma causa.
Segundo os pesquisadores, um enorme aumento na quantidade de oxigênio nos oceanos pode ter levado ao surgimento de animais complexos. O estudo indica que a elevação, ocorrida há cerca de 580 milhões de anos, corresponde à primeira aparência de fósseis de grandes animais na península de Avalon, na província canadense de Newfoundland.
Os resultados do estudo foram publicados na Science Express, versão on-line com artigos que sairão na edição impressa da revista Science.
“Nosso estudo mostra que os sedimentos mais antigos encontrados na península de Avalon, sem registro de fósseis de animais, foram depositados durante um período em que havia pouco ou nenhum oxigênio livre nos oceanos do mundo”, disse Narbonne, em comunicado da Universidade de Queens.
“Há evidências de um enorme aumento, imediatamente após aquela era do gelo, do oxigênio atmosférico de pelo menos 15% dos níveis atuais. Esses outros sedimentos também contêm evidências dos mais velhos fósseis de grandes animais”, afirmou.
Segundo os cientistas, a estreita conexão entre a primeira ocorrência de oxigenação nos oceanos e o surgimento de tais fósseis confirma a importância do oxigênio como um gatilho para a evolução animal.
Em 2002, Narbonne liderou um grupo que descobriu a mais antiga forma de vida complexa no planeta, também em Newfoundland, que levou o surgimento de tais seres vivos para mais de 575 milhões de anos.
O artigo Late-Neoproterozoic Deep-Ocean Oxygenation and the Rise of Animal Life, de G. Narbonne e outros, pode ser lido na Science Express em www.sciencemag.org. (Agência Fapesp)